Teoria do não-objeto de Ferreira Gullar
Embora o pensamento marxista não seja contrário à tradição do idealismo alemão, sua grande ruptura está na origem da realidade. Enquanto os idealistas colocavam o pensamento como a força que produz o mundo material - uma visão ligada ao academicismo das elites - Marx inverte essa equação. Para ele, é o mundo material, o contexto social e histórico, que constitui a base do pensamento. A questão central, se desloca então para: as ideias precedem a realidade, ou é a realidade que precede as ideias?
Esse questionamento ecoa na arte. No texto "A teoria do não-objeto", Ferreira Gullar apresenta o conceito de "não-objeto" como uma forma de conhecimento que acontece pela percepção direta.
Nesse sentido, o movimento impressionista é visto como uma nova estrutura pictórica que busca significados além da simples representação da realidade. Enquanto um objeto comum (como um cachimbo do Magritte) se esgota em sua função prática, o "não-objeto" artístico transcende essas limitações. Ele busca a essência da forma, da cor e da relação entre os elementos, sem se referir a algo real.
Mondrian é um exemplo radical disso. Ele rompeu completamente com a representação do mundo concreto, partindo em busca da forma pura – linhas retas e cores primárias. Sua obra avança para um nível de abstração ainda maior que foge das contradições inerentes à harmonia ao trabalho inicial.
Por fim, a arte contemporânea, ao buscar experiências que vão além da representação figurativa, revela um mundo onde a percepção do espectador e a ação da obra se entrelaçam. Essa abordagem é essencialmente conceitual. Como defende o artista Joseph Kosuth, toda a arte depois de Marcel Duchamp é conceitual por natureza, porque a arte passou a existir principalmente como uma ideia, um conceito, e não apenas como um objeto da realidade - tão discutida por Marx.
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